Impacto Femoroacetabular.

14/10/2010 at 2:17 Deixe um comentário

Existem evidências crescentes de que o impacto femoroacetabular seja importante na etiologia mecânica do desenvolvimento da artrose do quadril.

O Impacto femoro acetabular não é uma doença por si, mas um processo patomecânico que o quadril humano pode sofrer. Uma variedade de anomalias do acetábulo e/ou fêmur combinado com movimentos de flexão e rotação interna no final de amplitude e/ou movimentos rigorosos podem levar a choques repetitivos que causam danos estruturais aos tecidos moles, lábio e/ou cartilagem (LEUNIG, 2009).

O impacto fêmoro-acetabular geralmente aparece em adultos jovens e ativos os quais relatam um quadro de dor na região da virilha, de início insidioso, decorrente dos traumas repetitivo ou sem causa aparente. Durante os estágios iniciais, o sintoma é intermitente, que pode ser exacerbado por um aumento na demanda sobre o quadril, tal como ocorre em alguns esportes. Esportes como futebol, kickboxing, tênis, beisebol ou voleibol, que exigem a flexão do quadril com torque variável ou carga axial podem agravar sintomas. O paciente, também, relata dor após permanecer sentado por longo período. O exame físico revela, tipicamente, uma limitação à amplitude de movimento, principalmente à rotação interna e adução com o quadril flexionado a 90º (ESPINOZA, 2006; BRENDELLA, 2007).

A causa de tal alteração pode residir no impacto da porção anterior e ântero-superior da junção cabeça-colo femoral contra a porção contígua do acetábulo. Esse tipo de mecanismo é considerado um dos precursores da artrite degenerativa.  Os pacientes que apresentam predisposição ao desenvolvimento de IFA devido à sua anatomia intrínseca, podendo ser anormalidades anatômicas no fêmur proximal, no acetábulo ou ambos. Há dois tipos de impacto: o tipo CAM e tipo PINCER.

As causas do IFA incluem alterações na relação entre cabeça e o colo femoral, epifisiólise femoral, ou deformidades pós-cirúrgicas ou traumáticas. Quando há uma relação inadequada entre a cabeça e colo femoral ocorre o impacto entre essa área subjacente e a borda do acetábulo nos movimentos de flexão e rotação interna, resultando em forças anormais sobre a cartilagem do acetábulo e na porção ântero-superior do osso subcondral, tal alteração é descrita como impacto o tipo Cam.

A alteração da relação entre a cabeça femoral e o colo pode ser visto na ressonância magnética (RM) ou radiografia como uma proeminência na região lateral da cabeça femoral nas áreas adjacentes ao colo femoral. Essa alteração se refere à diferença entre o maior diâmetro da cabeça femoral e da parte mais proeminente do colo do fêmur. A perda da proporção entre a cabeça femoral e o colo resulta em diminuição das distâncias entre o colo do fêmur e acetábulo durante amplitude final nos movimentos do quadril.

Stuhlberg et al (1975) descreveram a presença da deformidade em cabo de pistola em 40% dos pacientes que desenvolvem OA do quadril. O termo deformidade em cabo de pistola refere-se ao achatamento da região de transição entre a cabeça e o colo femoral. Tanzer e Noiseux (2004) descreveram a deformidade em cabo de pistola como uma causa da IFA em 100% dos pacientes com artrite idiopática do quadril.

Notzli et al. (2002) descreveram um método de diagnóstico do IFA por meio ressonância magnética que determina a concavidade junção entre o colo e cabeça femoral. O angulo alfa é definido pelos eixos que se definem como distância entre o córtex até o centro da cabeça femoral e desta até a região coberta por cartilagem na cabeça femoral, com o alargamento do colo do fêmur há redução da concavidade do colo. O ângulo alfa medido em paciente com IFA 74° ±5,4° em controles normais 42° ±2,2°. Todas as causas de impacto atribuídas ao aumneto da junção entre colo e a cabeça femoral, como alargamento do colo femoral, formação de osteofitos ou deslocamento da cabeça femoral resulta em aumento do ângulo alfa.

Há paciente com IFA que apresenta a cabeça femoral com morfologia normal, apresentando alteração acetabular. A síndrome do bordo acetabular é um precursor da AO. Em quadris displástico que apresentam acetábulo raso com cobertura insuficiente para a cabeça femoral há aumento carga e pressão sobre o acetábulo. Este leva a rupturas labrum , lesões condrais, intra-cistos no teto acetabular e  fragmentação óssea

Retroversão acetabular, coxa profunda, ou protrusão acetabular resultam em falta de cobertura à cabeça femoral, aumentando a profundidade relativa do acetábulo. O contato da cabeça femoral contra o acetábulo resulta na degeneração posteroinferior do labrum com a formação de gânglio ou ossificação da borda acetabular, o tipo Pincer é mais benigno em comparação as lesões condrais e extensas rupturas labral visto no impacto Cam. O impacto Pincer é mais frequentes em mulheres de meia-idade praticantes de esportes.

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